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Câmara trata da PEC 32/20 em Audiência Pública

A Câmara Municipal de Caxambu realizou uma Audiência Pública para tratar da PEC 32/20 e seus efeitos para os servidores públicos e serviços públicos gratuitos, no dia 14 de setembro. A reunião foi solicitada pelo Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal no Estado de Minas Gerais (SINDSEP-MG), Núcleo Regional Sul de Minas, através do vereador Dennis Renato (Renatinho).

Na ocasião, a presidente do Simpro Minas e da CTB Minas, Valéria Morato, participou via internet. Explicou que a PEC 32/20 vem derrubar conquistas na Constituição Federal de 1988, o que diz respeito à saúde pública de qualidade gratuita, à educação e à assistência social. Considerou desnecessária a PEC 32, justificando que o País precisa é de mais investimentos no serviço público. Avaliou que a PEC vem sucatear e atrapalhar ainda mais a vida dos trabalhadores e das pessoas mais carentes do Brasil. Pediu aos vereadores que solicitassem aos deputados a não aprovação, para lutarem por mais serviços sociais e não a retirada de direitos dos servidores públicos estáveis.

O representante do Sindicato dos Servidores da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Emerson Luciano dos Santos, explicou que a PEC foi apresentada em 2020, trazendo mudanças na forma da organização, estrutura e funcionamento da administração pública. Chamou a atenção da população, na Câmara, para os riscos desta reforma administrativa e falou que o povo não quer a aprovação de uma reforma que prejudicará os serviços públicos. Despertou para o art. 37a, que coloca o Estado brasileiro em posição subsidiária à iniciativa privada.

Reforçou que a reforma administrativa atinge sim o servidor público, mas principalmente a população carente que depende dos serviços públicos. Exemplificou recordando da importância do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) nesta época de pandemia, bem como do ensino oferecido pelas Universidades Federais, que transformam inclusive a vida de alunos e familiares carentes. Pediu melhorias para o serviço público, enfatizando que a destruição do já existente seria um retrocesso para o País.

A representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/MG), Mônica Junqueira Cardoso, expressou que a reforma administrativa institucionaliza o “bico” no Estado, aponta para a privatização desregulada dos serviços públicos; que não só afeta diretamente os servidores públicos, mas toda a população usuária dos serviços públicos. Destacou que não é verdadeira a justificativa de que a reforma precisa ser feita para retirar privilégios, de acordo com estudos. Acrescentou que, na verdade, divide os servidores em categorias prejudicando ainda mais os serviços públicos. Em relação à privatização, explicou que não existe mais estabilidade, o que afeta os usuários dos serviços públicos. Completou que pouco se houve falar em gestão pública, em políticas públicas para beneficiar a população.

O representante do Sinpro Minas – Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais, Aerton de Paulo Silva, considerou o tema da Audiência Pública de extrema relevância para ser discutido na Casa. Expôs que o prejuízo para a população seria imenso, “que a PEC 32 é filha da Emenda Constitucional no 95 (teto dos gastos)”. Considerou que a falta de investimentos em saúde e educação dá um prejuízo gigantesco para gerações e que dizer não à PEC 32 seria de enorme importância. Reforçou a necessidade de investimentos na educação, saúde, cultura e população. Concluiu que o que está ocorrendo é o desmonte do Estado, dos direitos dos trabalhadores, da população. Pediu que o povo tivesse acesso às discussões, como a ora proposta.

A coordenadora geral do Sind-UTE/MG, Denise de Paulo Romano, via internet, explicou que o relatório apresentado na Câmara dos Deputados não contém mudanças substanciais no que diz respeito à destruição dos serviços públicos previstos na PEC 32. Falou que o relatório mantém a permissão da concessão dos serviços públicos para a iniciativa privada e as entidades da sociedade civil como regra e não como exceção, como é hoje. Acrescentou que prevê um corte na redução de jornada de trabalho em 25%, com a redução do salário, e que a PEC atinge os servidores das esferas federal, estadual e municipal, e que representa o fim da escola pública e do Sistema Único de Saúde (SUS).

O representante do Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal no Estado de Minas Gerais, Mário Ângelo Vitório, via internet, comentou que os vereadores em geral desconhecem a PEC 32, que é um retrocesso administrativo, que ataca diretamente os municípios, onde a maioria dos serviços é prestada à população. Enfatizou que atinge muito mais os servidores que recebem baixos salários, que está sendo pensada em etapas, e reforçou a necessidade da manutenção do Estado Republicano, do Estado Democrático. Pediu o envio de uma Moção de Repúdio ao Congresso Nacional, ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados, no sentido de manter os expositivos das relações de trabalho dos servidores como já assentado na Constituição Federal. A CF preserva a prestação de serviços públicos gratuitos à sociedade por servidores públicos estáveis.

Manifestações dos vereadores

– O vereador Dennis Renato (Renatinho) expressou que quando se fala em desmontes do serviço público, fala-se do desmonte na saúde, na educação e na segurança pública, entre outros serviços. Questionou se foi bom para a população a privatização da telefonia, por exemplo. Chamou a atenção para a aprovação da PEC 32, que trilha o mesmo caminho, e que não traria melhorias para a população. Explicou a importância do “Ciência sem Fronteiras”, trazendo retorno ao País. Citou a grande procura existente pelos concursos públicos, inclusive para se ingressar no Banco do Brasil.

– O vereador Fábio Curi, Líder do Governo, posicionou-se contrário ao fim da estabilidade no serviço público, um retrocesso, podendo ser implementados meios de atuação, avaliação e fiscalização dos servidores públicos estáveis. Colocou que a Reforma Administrativa deveria valer para todas as áreas.

– O vereador secretário Arnaldo Ribeiro considerou um desastre a PEC 32/20. Exemplificou que já sente as distorções da realidade e o peso da insanidade que campeia neste País. Citou o aumento do valor dos combustíveis, do gás de cozinha, que tanto afeta a vida dos brasileiros; e os 38 milhões de trabalhadores informais nas ruas do Brasil. Destacou que o próximo problema gravíssimo será o racionamento de energia, trágico para a economia como um todo. Avaliou que a PEC 32 é uma tentativa de saquear o povo brasileiro e falou que restava à Câmara apelar aos deputados e senadores para a não aprovação.

– O presidente Alessandro Fortes (Sandrinho Som) falou que solicitaria o apoio aos deputados em favor dos servidores públicos concursados e dos serviços públicos gratuitos, pois a situação do País não pode permanecer como está e que é preciso lutar pelo bem do povo trabalhador. Considerou a Audiência Pública muito produtiva e construtiva.